Seu filho não odeia ler. Ele só nunca foi encantado.

Toda semana algum pai me conta a mesma coisa: “meu filho não gosta de ler.” E toda vez eu faço a mesma pergunta: você já leu pra ele?

Não “mandou ler.” Leu junto.

Existe uma diferença enorme entre colocar um livro na mão de uma criança e sentar do lado dela com um livro. Uma gera obrigação. A outra gera memória.

A neurociência confirma o que qualquer mãe já sabe intuitivamente: quando você lê em voz alta para uma criança, o cérebro dela não está só processando palavras. Ela está associando aquele momento — a sua voz, o cheiro do ambiente, o calor do seu lado — com algo que vale a pena prestar atenção.

É assim que nasce um leitor. Não na escola. Em casa. Antes mesmo de saber o alfabeto.

O problema é que a gente foi ensinado a tratar a leitura como tarefa. Página mínima, fichamento, prova na sexta. E aí passamos isso pra frente sem perceber.

A criança que “odeia ler” muitas vezes nunca teve a chance de descobrir que livro não é lição. É conversa. É aventura. É um mundo que abre quando o mundo lá fora fecha.

Se você quer que seu filho ame ler, comece por você. Leia na frente dele. Fale dos livros que você está lendo. Deixe ele te ver virar página.

Crianças não fazem o que a gente manda. Fazem o que a gente faz.

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Psicóloga em formação. Especialização em logoterapia. Apaixonada por desenvolvimento humano — da infância à vida adulta.

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